Author: Antonio Fonseca

  • O DREAM TOUR

    O DREAM TOUR

    O Mike Stewart partilhou ontem uma foto (em cima) com alguns dos clássicos do Bodyboard a nível mundial. Nela podemos ver Jared Houston, o atual campeão mundial em título, Ben Player, Ryan Hardy, Guilherme Tâmega, Jeff Hubbard, Pierre-Louis Costes, Alex Leon (da APB) e o próprio Mike.

    A legenda não podia ter sido mais esclarecedora: “Em mais de trinta anos de reuniões sobre o circuito mundial, hoje foi sem dúvida alcançado um marco no que respeita a união, progresso e diversão. Obrigado rapazes! As paragens do tour em 2016 são fantásticas: Pipe, Teahupoo, Chile, Itacoatiara, Nazaré e Frontón. O ‘dream tour’ é agora uma realidade!”

    Longe de mim pôr em causa tão incrível turma de apaixonados do bodyboard, mas, deixem-me que vos diga: isto não caiu nada bem e não me parece que seja muito justo para os organizadores das restantes etapas. É que, segundo sei, o tour para este ano (aqui) é composto de 11 etapas e neste post apenas são realçadas 6.

    Fica a questão: Qual o papel das restantes 5 etapas (Antofagasta, Viana do Castelo, Martinica, Porto Rico e até Sintra que é a mais antiga prova do circuito mundial)?

    Já agora, para que conste, a confirmarem-se os valores, a diferença de 6 etapas para as 11 que foram calendarizadas, isto no que ao prémio total diz respeito, é de 210 mil dólares (Dream Tour) e 465 mil dólares (Tour com 11 eventos). Há uma diferença significativa nas contas de 255 mil USD. Afinal, os bodyboarders querem ou não mais eventos e dinheiro no desporto?

    P.S: Depois venham queixar-se a dizer que não há etapas!

  • ILHA REUNIÃO COM LUZ VERDE

    ILHA REUNIÃO COM LUZ VERDE

    Fazia cinco anos que a última competição tinha tido lugar na Ilha Reunião, mas a realização de um campeonato para jovens locais, decorrido no passado fim de semana, deu o primeiro passo para o regresso em força desta coesa comunidade de surf francesa.

    A prática de surf, bodyboard, outros desportos de deslize nas ondas e até simples banhos de mar, estavam proibidos nos últimos anos. A razão deve-se à forte presença de tubarões naquelas águas, consideradas atualmente como uma das mais perigosas do mundo, e que desde 2011 foram responsáveis por dezasseis ataques a surfistas e banhistas, sete dos quais a revelarem-se fatais. 

    A situação atingiu o seu auge em 2013 quando as autoridades oficiais interditaram o surf ao longo de, pelo menos, 50% da linha de costa. Durante esse período de restrição, a comunidade foi devastada com a morte de Elio Canestri, jovem de apenas 13 anos, quando surfava numa zona não vigiada.

    Como resolução do problema, ativistas e as autoridades locais optaram por colocar em 2015 duas grandes redes de proteção no mar. Uma tem 700 metros de comprimento e encontra-se em Boucan Canot. A segunda, de 600 metros, está em Roches Noirs.

    De acordo com os responsáveis, estas são bastante similares a outras que se encontram em zonas do globo igualmente problemáticas, como a África do Sul e algumas partes da Austrália. Em simultâneo com estas barreiras de proteção, foi também ativada uma equipa de mergulhadores que faz a vigilância, de forma regular, em várias zonas da ilha. As medidas parecem insuficientes, mas sempre são melhores que a alternativa que estava em cima da mesa e que se resumia à chacina pura e dura dos tubarões. 

    A controvérsia em torno deste tema, deveras sensível para os habitantes locais, ainda não desapareceu por completo, mas para já fica a notícia de que o surf está de regresso a uma casa que já formou grandes campeões de bodyboard. Amaury Lavernhe (na foto), bodyboarder que faz parte da APB Tour, é um bom exemplo, pois nasceu, cresceu e passou grande parte da sua juventude a surfar por esta fantástica ilha do Oceano Índico.


    Fotografia: Raphael Fredefon

  • OS SHAPES EXTRAVAGANTES DE KYLE MALIGRO

    OS SHAPES EXTRAVAGANTES DE KYLE MALIGRO

    As redes sociais são um mimo hoje em dia. Há dias, a Toobs Bodyboards postou uma imagem da nova prancha que tinha acabado de fazer para um dos seus atletas. “Kyle Maligro sempre a puxar os limites do design de pranchas e a sua funcionalidade”, foi o texto que serviu de acompanhamento à imagem.

    A originalidade do shape, como se pode ver em cima, tem um objetivo concreto, mas as reações não tardaram a aparecer e foram dispersas. Típico das redes sociais. Entre a parafernália de curiosos comentadores, houve quem dissesse que já tivesse tido problemas nos testículos ao usar bat tails.

    Dito (escrito) isto, a marca apressou-se a esclarecer o propósito deste design deveras diferente: “Trata-se de uma prancha para dropknee. Se a usarem na posição prone podem ter danos catastróficos na parte abdominal inferior.”

    Na verdade, Kyle Maligro (Maligs) foi um dos elementos originais que fez parte do Kauai Classic Team dos primeiros tempos do bodyboard, um verdadeiro prodígio no dropknee, estando depois ligado a uma etiqueta de roupa (Dumb) e mais tarde à criação da Knet, uma das marcas norte-americanas que produz uma linha de acessórios para pequenas câmaras de ação.

    O seu envolvimento com o Oceano ainda hoje de mantém, seja através da fotografia, a fazer surf ou a cruzar canudos em cima de uma prancha de bodyboard como o que deixamos já de seguida. Aloha bruddahhh!

    A video posted by Kyle Maligro (@kylemaligro) on

  • STEPH KOKORELIS: “NUNCA PENSEI QUE PODERIA CHEGAR TÃO LONGE”

    STEPH KOKORELIS: “NUNCA PENSEI QUE PODERIA CHEGAR TÃO LONGE”

    Stephanos Kokorelis é um dos atletas que representou a seleção nacional no ISA World Bodyboard Championship em Iquique, no Chile, no passado mês de dezembro. O jovem bodyboarder da Praia Grande não é propriamente um desconhecido nas lides competitivas e sob a sua alçada já detém alguns títulos nacionais nos escalões mais novos. Por isso, não foi de estranhar que tenha regressado da América do Sul com uma fantástica medalha de bronze conseguida na divisão sub-18.

    Em termos gerais, como avalias a prestação da equipa e o sexto lugar alcançado?
    Enquanto equipa estivemos muito bem, estabelecemos uma boa relação entre todos os adversários, todo o staff, as pessoas locais, deixámos uma boa marca pelo nome de Portugal na cidade de Iquique. Já em relaçao a resultados não foi de todo o mais positivo. Não sei se foi por influência de estarmos num país tão longe de casa, não sei se foi por intimidação de estarmos a lutar contra nomes de topo mundial, mas uma coisa é certa: o apoio da Federação foi total.

    E o evento em si, como correu no que diz respeito a ondas, organização e sequência de prova?
    O evento em si correu bem, durante o período de espera houve sempre swell para dar início à prova. A sequência de prova foi de forma a tentar encontrar as melhores marés para cada categoria. E a organização com o passar das dificuldades ia tentando modificar as suas prioridades para o bem dos atletas. Em termos de segurança houve uns quantos percalços nos primeiros dias, mas a organização da ISA conseguiu dar logo a volta à situação.

    Uma medalha de bronze não é nada mau, mas de alguma forma sentes que poderias ter alcançado algo mais?
    Eu, sinceramente, nunca tinha pensado que poderia chegar tão longe. Talvez por causa de toda a pressão acumulada dentro de mim, devido a todos os freesurfs no pico do campeonato carregados de crowd, não conseguia fazer as minhas ondas. De ver os meus adversários a surfar 10x mais que eu antes do campeonato, ou se calhar era só eu a pensar assim. Enfim, não sei… nada me permitia pensar que podia ser melhor que os outros até ganhar no meu primeiro heat ao campeão mundial do ISA World Bodyboard Championship em 2014 numa batalha bem disputada. A partir desse momento ganhei muita confiança e senti que tudo poderia ser possível, bastava eu querer. Infelizmente não consegui melhor que um 3º lugar.

    Além do terceiro lugar, tu e a Joana também estão de parabéns por terem alcançado as únicas nota 10 do evento…
    Sim, é verdade. De alguma forma, nós, portugueses, tivemos alguma sorte com o palco do campeonato por ser um pico de pedra, algo a que estamos muito habituados em Portugal. A onda do campeonato não era de topo mundial, mas tinha uma boa formação e se um atleta conseguisse apanhar as melhores ondas que entrassem no pico, no sítio certo dava para fazer maravilhas. (risos)
    Steph0
    Como consideras esta experiência – a de representar a seleção nacional e o país?

    Acho que é um grande orgulho poder ter essa oportunidade de algum dia representar as próprias cores portuguesas, Eu sinto que é o topo de qualquer atleta em qualquer modalidade, a nível nacional, não há mais onde se possa chegar. E estando nesse restrito grupo de atletas não há mais nada a provar a ninguém, só temos que lutar com noção das nossas capacidades para podermos tirar o melhor partido destas experiências. Porque… sem nos apercebemos, podemos tirar os melhores resultados das nossas vidas. Podemos representar os nossos sonhos. Podemos fazer tudo acontecer num determinado segundo. Por último, acho que é uma oportunidade de uma vida estar de igual para igual com os melhores do mundo para atingir o ouro.

    A equipa brasileira voltou à posição dominante de outrora ao vencer a prova. Que teremos que fazer, ou onde teremos que nos focar, para podermos alcançar o troféu um dia?
    Todos os portugueses têm as mesmas hipóteses de vencer como os outros países. Talvez precisemos de mais confiança na liderança, porque nos leva, inconscientemente, a trabalhar alguns dos pontos essenciais para uma medalha de ouro. Todos somos capazes desde o momento em que nos é atribuída a oportunidade de representar as cores portuguesas nestes campeonatos de tanta importância. Talvez uma coisa a melhorar na última equipa fosse tornar toda a energia negativa de toda a parte da equipa e de tudo o que vai acontecendo ao longo do campeonato em energia positiva, de modo a atrair todo o positivismo, porque, na verdade, a verdadeira luta neste tipo de campeonatos é coletiva. E só o resultado coletivo é que realmente interessa.

    Que se segue agora? Onde vais focar energias na próxima temporada?
    Depois desta prova sinto-me confiante, sinto que não tenho nada a temer. Só tenho que fazer o meu surf e espero conseguir atingir os meus objetivos pessoais para 2016. Enquanto a época de competição não começa vou-me empenhar ao máximo para fazer as melhores sessões do resto do inverno e uma pequena viagem, sem ainda saber o destino. Em termos competitivos vou fazer o Circuito Nacional Open na íntegra e todas as etapas da APB Tour que conseguir.

    Nota: Vê também a entrevista com Joana Schenker, medalha de bronze na divisão open feminina, aqui.


    Fotografia: Miguel Nunes, Bruno Norberto, Pedro Carvalho & Pedro Patrício (retrato)

  • O GANGUE DO MONDEGO

    O GANGUE DO MONDEGO

    Um pouco por todo o país podemos encontrar zonas com forte tradição no Bodyboard. Umas destacam-se pela quantidade de bodyboarders que apresentam nas suas praias. Outras pela qualidade extrema de alguns dos filhos da terra. Na Figueira da Foz o que salta à vista é a forte união entre todos os elementos que compõem a comunidade local.

    Os bodyboarders figueirenses possuem uma fibra sem igual e uma atitude tão nobre que quase podia ser considerada única no país. Não é à toa que regularmente se fala em “escola de bodyboard da Figueira”; pois ela efetivamente existe e tem vindo a dar importantes cartas no panorama nacional.

    Na parte que me toca, desde que me lembro que os bodyboarders da Figueira são muito unidos e coesos. Mas isto não é tudo. Eles são também fiéis ao Bodyboard e não aceitam merdas de nada nem ninguém. Eles são conhecidos por criar a sua onda e trilhar o seu próprio caminho. O gangue do Mondego não segue modas, credos ou estrelas; é simplesmente fiel a si próprio.

    Tem sido assim desde que me lembro… e, sem me esforçar muito, facilmente reconheço quatro diferentes gerações de bodyboarders da Figueira da Foz.

    A primeira, claro, só poderia ser a do Miguel Gravato, do Alfredo Coelho, Paulo Pereira e do Nuno Trovão, entre muitos outros. Depois seguiu-se a do Luís Pereira, o “Porkito”, Nuno Martelo Simões e Pedro Oliveira, apenas para citar alguns. A terceira geração, encabeçada por Jaime Jesus, Fábio Laureano e Bernardo Jerónimo, seguiu as pegadas dos mestres locais e chegou cheia de vontade de vencer.

    Por último, plena de talento, a quarta geração onde os manos Adão (Ana e Miguel) são cabeça de cartaz e motivo de inspiração para muitos como os novatos Afonso Alexandre e Carolina Esteves.

    Em todas elas um denominador comum: a atitude. Desde os idos de oitenta até ao presente, os bodyboarders da Figueira têm feito disso uma espécie de culto – no bom sentido – e nada os tem demovido do seu caminho.

    Tudo isto até poderia ser fruto do acaso, mas estou convicto que a ABFM – Associação de Bodyboard Foz do Mondego tem seguramente uma palavra a dizer sobre o deslindar deste longo e excitante percurso.

    Por tudo isto, por zelarem pelo desporto e pelo seu futuro, gostaria de vos endereçar a seguinte mensagem: Parabéns e um grande bem haja por existirem!

    Nota: O presente texto foi escrito a convite, em 2014, para o livro ABFM 20 Anos que eu nunca soube se chegou a ser publicado. Em todo o caso fica a partilha e, claro, o devido tributo a essa grande comunidade de bodyboarders figueirenses.


    Fotografia: João Serpa

  • KALANI LATTANZI: HOMEM PEIXE OU WATERMAN?

    KALANI LATTANZI: HOMEM PEIXE OU WATERMAN?

    O caso de Kalani Lattanzi não deixa dúvidas: estamos perante um verdadeiro Waterman. Na verdade, o atleta brasileiro, de 21 anos, não dá que falar apenas com a sua prancha de bodyboard. Ele também é surfista e apanha ondas em bodysurf, aquela que é a forma mais pura de correr ondas.

    Pela segunda vez em Portugal no espaço de alguns meses, o rider ‘zuca’ aproveitou uma das ondulações que varreu a costa portuguesa na passada semana (23 de dezembro) para se fazer às ondas da Praia do Norte acompanhado apenas dos seus pés de pato. Eis o que recolhemos sobre o essencial da experiência…
    Kal0

    Como definirias as ondas da Praia do Norte? São parecidas com as de Itacoatiara?
    A Praia do Norte é um spot de ondas muito pesadas, mas, mesmo assim, eu continuo a achar Itacoatiara a onda mais pesada do mundo. A Praia do Norte fica em segundo lugar.

    Porquê o regresso a Portugal e logo em dezembro quando, normalmente, faz bastante frio?
    É simples. Onde vivo, em Niterói, no Brasil, nesta altura do ano não rolam ondas.

    Até ao momento contas já com algumas sessões épicas no papo. Como está a ser a temporada até ao momento?
    Bem, está incrível! Portugal e a sua costa está a surpreender-me. E não está tanto frio assim, para mim está ótimo. Todos falam que vai arrefecer mais, portanto, aí é capaz de complicar um pouco mais.

    Qual consideras ser a melhor onda portuguesa?
    Sem qualquer dúvida, a Praia do Norte.

    Porquê entrar na Praia do Norte apenas de pés de pato?
    Na verdade eu não entrei direto pela Praia do Norte. Fui a nadar desde a praia da Vila até à do Norte. Poucos sabem, mas eu comecei no Bodysurf e estou apenas a honrar as minhas origens. (risos) Não sei, acho que às vezes gosto apenas de fazer diferente.

    Apanhaste algumas ondas nesta sessão? Quantas?
    Claro. Entrar e não surfar é papel de comédia. (risos) Mas acabei por surfar três ondas. Algumas delas estão no meu Facebook e Instagram.

    Como foi a sensação de estar no meio do Oceano com vagas tão grandes?
    Foi bom. Senti-me à vontade lá dentro, mas no final acabei por nadar mais do que as ondas que surfei! (risos) Mas isso faz parte das sessões em big surf.

    Pelo que viste até ao momento, que achas do fenómeno (ou movimento) do Surf/Bodyboard em Portugal?
    O Surf e o Bodyboard em Portugal contam com uma boa visibilidade na imprensa e os portugueses têm um potencial enorme nos desportos aquáticos. Parabéns!

    Nota: Em maio deste ano Kalani já tinha dado que falar em Puerto Escondido. Clica aqui para ver algumas imagens do swell em que esteve envolvido.


    Fotografia: Tó Mané (Bodysurf), Vitor Estrelinha (Surf) & Máquina Voadora (Bodyboard)

  • PERSEGUINDO O PARAÍSO

    PERSEGUINDO O PARAÍSO

    O bodyboarder sul-africano Iain Campbell, uma das boas surpresas este ano na APB Tour, acaba de lançar o primeiro episódio de uma série de três vídeos. O palco neste primeiro lançamento são as ondas de Porto Rico e o Encanto Pro.

  • NEXT LEVEL COM RICARDO FAUSTINO

    NEXT LEVEL COM RICARDO FAUSTINO

    No que diz respeito a ondas grandes, ou de consequência, se preferirem, há muito que o Ricardo Faustino e o Porkito são as grandes referências do bodyboard português. Logicamente, não são as únicas, há mais uns quantos nomes que poderíamos citar, mas na última década estes dois têm-se encontrado em demasiados desafios de pura insanidade, muitas vezes um puxa o outro e vice-versa.

    Pois bem, a última aventura de Ricardo Faustino, algures pela Galiza, na mítica Costa da Morte, teve lugar no domingo passado e deitou por terra mais algumas barreiras na arena das ondas grandes. O bodyboarder nortenho juntou-se a João Guedes e Ramón Laureano, da Jet Resgate Portugal, e pode muito bem ter descido aquilo a que se pode chamar de… “next level”.

    Neste momento Faustino leva clara vantagem sobre Porkito, mas será interessante ver se o rider da Figueira conseguirá dar uma resposta capaz num destes dias (do próximo inverno, claro). Para já, fica a entrevista exclusiva com o psico mais psico do momento.
    Blog_Faustino2
    Já conhecias o spot?
    Sim, já surfo esta onda há cerca de cinco anos… mas ainda não tinha conseguido fazer tow-in com tamanho. Só tinha surfado na remada.

    Como foi surfar por lá em tow-in?
    Foi na boa. Só ainda acho um pouco difícil porque não estou habituado (ainda) a ser rebocado, o que exige sempre alguma técnica e perícia.

    Que resumo farias da sessão?
    Bem, a sessão não correu da melhor maneira. Nós fomos com duas motas, o Ramon Laureano e o João Guedes faziam equipa numa e eu estava na outra para fazer segurança. Quando chegámos ao pico, por volta das 10h da manhã, após fazermos o caminho do porto de abrigo até lá, que demora uns 20 minutos, uma mota avariou-se e fez com que voltássemos atrás, para vermos o que se passava, tentarmos consertar, etc. Entretanto, perdemos a manhã toda e só voltámos ao pico às 14h30. O João Guedes começou a fazer com o Ramon, que se encontrava a rebocar, durante uma hora, e só depois fui eu. Ou seja, a melhor maré, que foi de manhã, nós perdemos. Mesmo assim ainda deu para apanhar umas quatro ou cinco ondas na direita. (N.A.: Sendo uma delas a que se encontra em anexo) Depois ainda fui tentar fazer umas à esquerda. A primeira correu bem, porque ainda fiz um tubo, mas na segunda levei uma grande sugadela numa onda de p’ra aí três metros. Acabei por bater no calhau, levei com outra de dois metros logo de seguida e aí achámos melhor regressar ao porto. E foi assim a sessão.

    Podemos esperar mais insanidade deste género durante o inverno?
    O futuro nunca se sabe, né? Não sei. Mas é claro que quero lá voltar. Basicamente, o meu sonho era apanhar uma destas mas conseguir mandar um tubo. Esse é o meu objetivo. Porque nesta onda (da imagem) acabei por não conseguir, pois no sítio onde dropei já devia estar na parede e não consegui voltar a tempo de fazer um tubo. Isto é assim, é um totoloto e um gajo nunca sabe onde a onda vai quebrar, por isso, tem que se ir lá muitas vezes, descer muitas ondas, tentar, etc; mas no geral foi fixe.

    * Ricardo Faustino tem atualmente 35 anos e não dá sinais de abrandamento. Defende as cores da Invertshop, WR Rider Bodyboards, Typhoon Wetsuits e Tiago Duarte Fisioterapia, que é a pessoa que vai dando um jeito e metendo o corpo do atleta de Espinho operacional para estas aventuras.


    Imagem cortesia de Inês Rodrigues