Author: Antonio Fonseca

  • MESTRES DO ESTILO: KAINOA MCGEE

    MESTRES DO ESTILO: KAINOA MCGEE

    Se Paul Roach fica na história do desporto por ter modernizado o Dk, então Kainoa McGee fica definitivamente por ser o bodyboarder mais power que alguma vez tivemos oportunidade de observar nessa vertente.

    No que diz respeito a Dk, até hoje ninguém chegou aos seus calcanhares em ondas grandes… em especial na infame bancada de Banzai Pipeline onde ainda hoje se atira a 8-10 pés como se estivesse a surfar um metro.

    E para quem conhece a potência das ondas do North Shore e especificamente da arena de Pipe, sabe bem que isto só é possível graças a uma grande dose de coragem, capacidade e muito talento.

    Segundo o próprio, só começou a surfar em Pipeline por volta de 1986, com 15 anos de idade, precisamente cinco anos depois de se ter iniciado no boogie.

    Em todo o caso, apesar de ter sido um dos que mais luta deu a Mike Stewart ao longo dos anos, sendo até candidato ao título mundial por várias vezes, a verdade é que este havaiano acabou por nunca vencer uma prova em Pipe.

    Porém, é seguramente um dos que detém um dos melhores registos naquela onda. Ele tem um quinto em 1990 e um terceiro em ’97. Para a história ficam os segundos lugares conseguidos em 1991, 1992, 1994 e 1996, que o tornam, obviamente, num dos melhores de sempre no spot mais famoso do mundo.

    A irreverência de Kainoa não abrandou ritmo e continua a dar nas vistas, a ser intimidante, mas hoje em dia é principalmente a versatilidade e o Hawaiian Style que apresenta na água que conquista respeito, estatuto e gera notícia.

    Não há um atleta assim tão completo. Ele é um dos mais versáteis que a comunidade já viu, um verdadeiro waterman, que pratica quase tudo o que deslize sobre água (bodyboard, surf, longboard, SUP).

    Kainoa é, por exemplo, o único a ter alcançado finais em Pipe, quer em bodyboard quer em surf. Feito que mais ninguém conseguiu…

    Hoje em dia é nadador-salvador (profissão de grande prestígio na Meca do Surf), mas também empresário e ator. Esta grande lenda do bodyboard mundial chegou a cruzar a costa portuguesa na década de 90.

    #MestresDoEstilo

  • MESTRES DO ESTILO: EPPO

    MESTRES DO ESTILO: EPPO

    Michael “Eppo” Eppelstun é um dos ícones mundiais do bodyboard e, muito provavelmente, a maior figura do bodyboard australiano.

    Eppo apareceu em cena nos finais do anos oitenta e num par de anos conseguiu revolucionar o desporto, muito graças à sua abordagem que se pode considerar quase ao nível de um ginasta – entenda-se, aéreos altíssimos de pernas abertas tipo sapo!

    De estilo explosivo e radical q.b., não demorou muito até conquistar o devido reconhecimento na imprensa especializada e a ver os seus desempenhos serem cobiçado pelos fãs do bodyboard.

    Em 1993 ele não só se tornou campeão mundial como ainda foi o primeiro aussie a conquistar tão importante feito. Até então o campeonato em Banzai Pipeline só tinha conhecido campeões de origem havaiana…

    A partir desse feito histórico, Eppo focou-se ainda mais em inovar e, além de aperfeiçoar os El Rollos duplos que já havia empreendido na prova de Pipe, inventou o ARS (Air Roll Spin) e o Backflip, que dispensam apresentações. Essas duas manobras foram um autêntico marco na evolução do desporto, em particular na competição, pois até aos dias que correm ainda são uma referência. Quem não as saiba fazer dificilmente conquistará um troféu.

    O verão de ’93 ficou ainda marcado pelo lançamento de um filme – Eppo’s Freak Show. Filmado ao longo de seis meses por Chris Stroh, a película foi um tremendo sucesso e mostra bem as qualidades únicas que o australiano possuía no jogo aéreo. Eppo foi um inovador que mudou o curso do desporto e ainda serviu de inspiração para outros atletas do calibre como Sean Virtue e Jeff Hubbard, por exemplo.

    Ele destacou-se também pela personalidade afável e humilde que ainda hoje é recordada. Vive na Austrália, com a sua família, e trabalha no ramo da construção civil (embora tenha tido durante muitos anos uma surf shop).

    #MestresDoEstilo

  • MESTRES DO ESTILO: PAUL ROACH

    MESTRES DO ESTILO: PAUL ROACH

    Paul Roach, de Encinitas, Califórnia, foi um dos riders mais inspirados que o desporto já viu… e também o que fica na história por ter modernizado o Dropknee – a Jack Stance.

    Roach começou nas lides do bodyboard por volta de 1984 e nesse mesmo ano fez o seu primeiro campeonato que, aliás, acabou por vencer de forma categórica segundo reza a história.

    A paixão cresceu, obviamente. Então, nos dois anos seguintes, dedicou-se de alma e coração à modalidade. Entre os 12 e 13 anos, o seu talento e energia era tanta que já competia em várias categorias (uma só não chegava!).

    Após a conquista de três títulos nacionais e com total liberdade para se dedicar ao Dk, tornou-se profissional aos 16. A partir deste momento a sua sorte mudou.

    A braços com um critério de julgamento que beneficiava quase sempre o prone, ele não venceu mais campeonatos a partir dessa data e acabou por desistir, optando pelo free surf.

    De qualquer forma, durante anos ocupou inúmeras páginas de revistas, conquistou minutos e minutos de segmentos de filmes em VHS e preencheu o imaginário de milhares de fãs.

    Além da atitude irreverente e sempre controversa, Roach deu ao Dk definitivamente mais notoriedade, muito graças aos grandes manobrões que empreendia nas suas performances. Grandes rasgadas, sempre apoiadas no rail, e floaters quilométricos, com velocidade extrema, ficaram seguramente na retina ao longo dos anos.

    Mesmo assim, a forma como atacava as ondas e a diversidade com que ripava, dando laybacks, aéreos, carves e off-the-lips como mais ninguém, jamais será esquecida e ainda hoje é fonte de inspiração para muitos.

    Super energético, hiperativo até em algumas ocasiões, este carpinteiro de profissão do sul da Califórnia deixou de legado um estilo explosivo e excitante q.b.

    Foi um dos poucos que na época se dedicou a 100% à vertente do Dk, aplicando ao bodyboard o que os surfistas e skaters andavam a fazer na altura. A expressão Cockroach Smash (barata destruidora) ainda hoje é relembrada pelos adeptos do Dk.

    Por cá tivemos a sorte de vê-lo em 1992, juntamente a Jay Reale e Mike Stewart, aquando de um dos tours promocionais da Morey Boogie.

    #MestresDoEstilo

  • MESTRES DO ESTILO: PAT CALDWELL

    MESTRES DO ESTILO: PAT CALDWELL

    Pat Caldwell nasceu para o Bodyboard em 1974 e fica na história da modalidade por ter inventado o El Rollo, uma manobra considerada completamente futurista naqueles primeiros tempos do desporto.

    Estávamos em ’78 quando o El Rollo, que hoje em dia é claramente uma das manobras base da modalidade, ganhou um nome e se tornou oficial.

    Este novo movimento giratório sobre as ancas foi absolutamente inovador. A partir daí tudo mudou, quer na abordagem ao bodyboard quer a redefinir os próprios limites do desporto.

    Pat também ficou conhecido por ripar de mãos trocadas em direitas, adotando assim até hoje uma única posição em cima da prancha, e ainda por ter feito a capa da primeira revista da modalidade – Bodyboarding Magazine.

    Ele foi pioneiro, inovador e um dos que realmente sentia prazer em atirar-se a ondas grandes (Pipeline, Waimea Shorebreak, The Wedge e Mavericks são alguns exemplos). Por isso, na altura não foi difícil conquistar a atenção dos media.

    Foi em Sandy Beach e Makapuu, o berço do bodyboard, que deu os primeiros passos, aprendeu a ler o mar e viu a boogie board expandir-se a níveis completamente inesperados.

    A praia de Sandy foi definitivamente o laboratório onde a alta performance foi criada, mas era também um local de camaradagem e de espírito livre que ficará para sempre associado ao bodyboard.

    O grupo de amigos de Pat não era totalmente desconhecido e incluía os nomes de Mike Stewart, Ben Severson, Keith Sasaki, Tom Boyle e Jack “the Ripper” Lindholm. Estes foram, reconhecidamente, os primeiros bodyboarders a fazer da atividade uma profissão.

    De alguma forma, hoje em dia continua ligado ao desporto, muitas vezes a dar uma mãozinha como juiz no tour mundial.

    A sua experiência e devoção são de louvar e, em nome de todos os bodyboarders, é de agradecer ter passado de uma forma tão simples e honesta o espírito “FUN” do bodyboard que tanta diversão e bons momentos já proporcionou a milhões de praticantes… e tudo através de um dos movimentos mais plásticos e funcionais de sempre – o El Rollo.

    #MestresDoEstilo

  • MESTRES DO ESTILO: BEN SEVERSON

    MESTRES DO ESTILO: BEN SEVERSON

    O havaiano Ben Severson, nascido a 29 de agosto de 1964, é um dos pioneiros originais do bodyboard e o primeiro que escolhi para destacar nesta nova saga de crónicas denominada de Mestres do Estilo.

    “Aos oito anos, em Waikiki, eu só queria pranchas de surf e paipo boards. Em ’72 apareceram os primeiros bodyboards e aí tudo mudou na minha vida. Fiquei rendido e aos 16 já participava em campeonatos”, referiu numa entrevista à Vert em 2007.

    É definitivamente um dos bodyboarders mais emblemáticos do desporto e um dos que mais marcou, nomeadamente a nível pessoal, talvez porque durante longos anos tive uma ligação muito forte com a BZ (marca que ambos representámos enquanto atletas).

    De qualquer forma, o estilo de Ben era muito próprio e único, marcando quase sempre pela velocidade e precisão. Se a isso aliarmos um domínio exímio da arte de tuberiding, está explicado o porquê da sua fama e respeito se terem facilmente espalhado pelo globo.

    Quem não recorda os seus fantásticos cutbacks com ambas as mãos no nose? Os 360 rapidíssimos antes de entrar nos tubos? Os incríveis aéreos? Ou até mesmo o famoso stall como a imagem em cima tão bem representa?

    Simplesmente clássico… mas ao mesmo tempo algo que ainda hoje recordo com sendo claramente inovador.

    A nível competitivo, foi o primeiro atleta a derrotar Mike Stewart em Pipeline e a desafiar a sua hegemonia, tornando-se campeão mundial em 1986. A rivalidade entre estes dois é bastante conhecida e, por incrível que pareça, ajudou a escrever títulos, a manter a comunidade interessada e a fazer crescer o desporto durante mais de uma década.

    Em todo o caso, Ben Severson destacou-se também no design e no shape de pranchas, não só na BZ mas também na BSD (Ben Severson Designs) que formou por conta própria nos anos noventa.

    Conhecido por viajar sempre com vários bodyboards no saco, cada um deles preparado para diferentes condições (não só de ondas, mas também de clima), a ele podemos atribuir algumas inovações como, por exemplo, a introdução de canais ou a criação dos Transitional e Rounded Rails.

    No caso dos canais a aceitação foi tão forte – e fez tanto sentido – que o seu uso hoje em dia, como se sabe, é absolutamente corriqueiro e imprescindível.

    Além disso, esteve ainda na génese da incrível T-10 e dos seus Diamond Rails em slick skin (ver imagem), um dos modelos mais populares de sempre na BZ. Ainda na marca norte-americana lançou uma linha assinada e numerada com 999 unidades, o que lhe conferiu uma criatividade adicional e algo único até hoje.

    As suas pranchas eram realmente diferentes, grandes, retas e de nose largo. Ele foi o segundo na história do desporto a lançar um Signature Model (o primeiro foi Jack Lindholm) e muito provavelmente um dos primeiros a surfar em Teahupoo.

    Atualmente vive em Makaha, na costa oeste de Oahu, é Lifeguard de profissão e no seu tempo livre continua a trabalhar a BSD onde já só faz customs. Neste momento está fortemente ligado à IBA Hawaii e de tempos a tempos podemos vê-lo como juiz internacional nos eventos de bodyboard.

  • THE FRENCH CONNECTION

    THE FRENCH CONNECTION

    A fotografia remonta ao ano 2004 e foi registada na cerimónia de encerramento do Euro Júnior, na Costa de Caparica. Nela estão dois elementos da seleção francesa, a equipa que na altura saiu vencedora do evento. Eles cantam o hino do seu país em celebração de mais uma importante vitória no mundo do Surf.

    Caso ainda não tenham reparado, à esquerda está um Pierre-Louis Costes muito novinho. A seu lado, um dos nomes incontornáveis do bodyboard europeu e mundial – Nicolas “Cap2” Capdeville. No entanto, os dois tiveram funções específicas no evento: um cumpriu o papel de atleta, o outro de selecionador.

    Na verdade os bodyboarders portugueses e os franceses nunca se entenderam muito bem. E a história prova que sempre houve uma rivalidade muito forte entre nós – desde os primeiros tempos, sempre os achámos de nariz empinado e arrogantes, como se fossem reis e senhores de tudo. Por isso, tudo o que temos feito é suportarmo-nos mutuamente.

    No entanto, embora a situação tenha melhorado nos últimos anos, a verdade é que os “frogs” não registam pelas suas praias a quantidade de atletas que temos por cá. Todavia, têm conseguido andar um passo à nossa frente. Eles podem não ter quantidade, mas estão a compensar com qualidade. E por mais que custe engolir, têm vindo a marcar o ritmo conseguindo feitos excecionais…

    Eu sei que temos talentos bem capazes e deveras motivados, atletas que em nada ficam a perder para os franceses e que, houvesse mais apoios, condições e dinheiro, talvez chegassem mais longe. Manuel Centeno é um dos exemplos que representa bem a qualidade e garra dos bodyboarders lusitanos. Ele venceu o WQT (circuito de qualificação) em 2003 e três anos mais tarde sagrou-se campeão dos Jogos Mundiais da ISA. Porém, em 2002 já Cap2 tinha oferecido à Europa um título WQT… e no que diz respeito aos “olímpicos” da ISA foram duas as vitórias que o francês averbou ao seu palmarés desportivo (1992 e 2002). A fantástica conquista de Gonçalo Faria, em ’98, nos Jogos Mundiais disputados em Carcavelos, equilibra as contas.

    Daqui para a frente, com o “upgrade” do World Tour da GOB para IBA, e a consequente criação da Grand Slam Series, as coisas foram ficando mais árduas para os bodyboarders portugueses. Esporadicamente vamos tendo uma ou outra presença no Tour… mas isso, por si só, é insuficiente face à representatividade do desporto nas nossas águas. Parece que o foco, o drive, se foi perdendo e a fantasia de alcançar um título mundial – que em tempos já foi tão palpável – está a desvanecer, quase a desaparecer por completo.

    Ao invés, o bodyboard francês fortalece-se e tem vindo a conquistar o seu espaço no panorama internacional. Os títulos mundiais conseguidos por Moz e PLC, nos últimos dois anos, foram simplesmente avassaladores… e lá vão servindo para rotular a nação tricolor como uma das potências do desporto.

    Como se não bastasse, a reviravolta recente nas contas do GSS de Puerto Escondido veio criar novas oportunidades. Quem sabe agora se um terceiro título não estará novamente a caminho da Europa? É difícil, mas não impossível. E a julgar pelas qualidades do “fenómeno”, PLC é um candidato que pode surpreender a qualquer momento.

    Lá bem no fundo eu sei que os franceses não são a maior força europeia… mas estão a mostrar serviço e a deixar-nos perdidos na poeira! Por isso, meus amigos, de que estamos à espera?


    P.S.: Para que conste, no dito evento, PLC venceu os sub-16, mas foi o português João Barciela quem saiu na frente da divisão sub-18.