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  • WAVE OF THE WEEK #22

    WAVE OF THE WEEK #22

    Depois de algum tempo de ausência, eis que aproveitamos esta sexta-feira de maio para lançar o 22º episódio de Onda da Semana powered by Vert. 

    Em ação, por Peniche, podemos encontrar Daniel Fonseca numa filmagem feita pelo seu pai, António Fonseca. A edição ficou a cargo do nosso novo colaborador na área do vídeo, Francisco Melim. 

  • KUNG: O PAI DO BODYBOARD BRASILEIRO

    KUNG: O PAI DO BODYBOARD BRASILEIRO

    O nome pode até soar estranho para muitos, mas isso apenas sucede porque a cultura que possuem do bodyboard, o desporto que amam acima de qualquer coisa, não é suficientemente vasta. Marcus Cal “Kung” é o pioneiro, o bodyboarder número 1, enfim, como os nossos irmãos além-mar referem, o pai do bodyboard brasileiro. Ele iniciou a sua caminhada em 1973 e desde então tem estado envolvido com a modalidade. Fundou a primeira associação mundial do desporto, a AMBERJ (Associação de Morey Boogie do Estado do Rio de Janeiro), regulamentou, competiu e implementou o bodyboard um pouco por todo o lado. O resultado desse trabalho culminou com a atribuição do prémio Personalidade Mundial no Pipe Challenge de 1988. Hoje em dia é shaper profissional e continua a viver intensamente o desporto.

    Primeiro que tudo… de onde vem o nome Kung?
    Na época passava no Brasil a série Kung Fu, com David Carradine como protagonista principal. O personagem também era careca e como eu praticava Tai Chi, não deu outra! (risos)

    Considerado o pai do bodyboard brasileiro, como foi ser um dos pioneiros e desbravar as ondas nesses primeiros tempos?
    Foi incrível! Lembro que só para ir até a Praia do Pepino (São Conrado), como era conhecida, era uma aventura. A vantagem é que fui o primeiro da galera a ter carro, então comecei a explorar os picos da orla carioca e a reunir mais e mais os bodyboarders que fui conhecendo. A primeira viagem para Saquarema, onde morei durante seis meses, foi irada. Recordo também da primeira ida para Arraial do Cabo… e por aí vai.

    Quando e onde rolou o primeiro campeonato no Brasil?
    O primeiro campeonato foi na praia de Piratininga, Niterói, em 1983.

    Lembra quem venceu e quais os atletas de destaque na altura?
    Lembro sim! Eu fiquei em segundo lugar. Lembro que fiquei revoltado, pois perdi a final para o meu grande amigo Mário Rutman. Mas ele mereceu! (risos)

    Qual o evento que mais o marcou?
    Foram dois. A minha primeira participação no Pipe Master, em 1985/86, no Havai, com os ídolos que costumava ver nas revistas. Eles estavam ali, ao vivo, no mar, ao meu lado, praticamente só para a gente! E depois, em 1987, o Bliss International, o primeiro evento internacional no Brasil, no Rio de Janeiro. Além de competir, organizei e consegui trazer as lendas do bodyboard como Mike Stewart, Ben Severson, Chris Ann Kim, Carol Phillips, David Cunniff, Keith Sasaki e Jay Reale. Foi memorável pelo evento e pelo encontro. Mary Lee, gerente de marketing da Morey Boogie, não acreditou no que viu no que diz respeito a estrutura e público na praia.

    Por volta de 1988 recebeu o prémio de “personalidade mundial” no internacional de Pipe. Como foi ser alvo de tal distinção?
    O prémio de personalidade mundial foi um marco importante na minha carreira, porque eu realmente dedicava-me para aprimorar a integração dos bodyboarders no Brasil e no exterior. Criei associações aqui e noutros países, além de organizar e regulamentar as regras e a formação dos juízes, algo inédito até então.

    Quais foram as suas principais referências no desporto?
    As principais referências foram Jack “The Ripper” Lindholm e Mike Stewart, com estilos inconfundíveis e inspiração plena. No Brasil, a primeira geração dos bodyboarders que competiram comigo e ajudaram-me a evoluir, como Cláudio Marques, Kiko Ebert e Kiko Pacheco. De seguida, os ainda jovens Xandinho e Paulo Esteves. E, por último, incontestavelmente, Guilherme Tâmega que desde pequeno se destacava e mostrava o caminho que o consagraria ao reconhecimento internacional.

    Você foi um dos pioneiros do bodyboard, mas também formou associações, regulamentou o desporto, competiu, foi atleta profissional, trabalhou em marketing de empresas de surf, foi relações públicas, criou e desenvolveu marcas, e hoje em dia cumpre a função de shaper. Que análise faz deste seu percurso?
    Sim, é verdade, passei por todas essas funções ao longo da minha carreira profissional no desporto. E sinto que poderei contribuir ainda mais na área de estruturação e organização para alçarmos voos mais altos. Voltei a atuar profissionalmente como advogado e pretendo fazer uma especialização em desportos radicais. A análise é que fiz o que tinha que ser feito e sinto-me com o dever cumprido até aqui. As minhas realizações e conquistas devem-se não só a mim, exclusivamente, mas a um grupo maravilhoso de pessoas que acreditaram, partilharam e discutiram as minhas ideias. Assim, melhoraram-me a mim e o bodyboard. Aprendi muito, sou grato e feliz pelo que conquistei. E só me arrependo de não ter apanhado mais ondas enquanto trabalhava para organizar os eventos e as associações! (risos)

    A criação e divulgação da Equipa Speedo de Bodyboard, nos anos 80, é um dos seus trabalhos que mais recordo. Hoje em dia seria possível levar a cabo um projeto dessa envergadura?
    Os anos 80 foram o auge do mercado brasileiro e também mundial! No Brasil, no momento, não seria possível. Não há mercado preparado para um projeto desses tão grande. Acho que a nível mundial só seria possível em alguns mercados de escala proporcional.

    Atualmente você tem a sua própria marca, a Kung Bodyboard, e continua a formar novos atletas na Escola de Bodyboard Kung. Até que ponto essas duas funções se complementam e caminham de mãos dadas?
    Sim, as duas atividades se complementam. A primeira é a produção de pranchas e acessórios, com as divisões de iniciantes e amadoras, que é feita por terceiros, com foco na distribuição para as lojas. E a linha profissional e customizada, minha atividade direta como shaper, com foco nas lojas especializadas, clientes e atletas. A Escola Kung de Bodyboard é um canal de vendas e serviço para o bodyboarder e/ou qualquer pessoa que queira iniciar a prática. Na escola há a convergência das duas atividades pois promovo o bodyboard, o treino e consequentemente o lifestyle do bodyboarders com a venda dos produtos da marca Kung.

    A Phazer é uma das inovações que podemos associar à Kung Bodyboard. No futuro, por onde passa a evolução das pranchas de bodyboard?
    A Phazer é um design incrível e vejo a reação dos atletas e clientes quando a usam pela primeira vez, pela velocidade e funcionalidade. Ultimamente tenho notado uma mudança no design dos fundos das pranchas, pois a maioria só usa canais. No surf também foi assim, até que Kelly Slater começou a usar as concaves. Também acompanho a indústria e as novidades de perto, além de procurar parcerias com fornecedores, shapers e fabricantes. Sem dúvida, os materiais são essenciais para a qualidade e a evolução das pranchas, mas há ainda muito que percorrer em termos de design com funcionalidade e foco no desempenho. Atualmente, vemos as marcas a serem produzidas por uma ou duas grandes fábricas, com distinção apenas nas logos e todo o dinheiro investido em marketing. Essa é a atual “ditadura” que vivemos mundialmente no mercado de pranchas, mas há também o trabalho de “guerrilha” que é representado pelos shapers ao redor do globo. É uma forma, do “core division”, de manter o esporte na sua essência. O surf, por exemplo, embora tenha passado por várias crises, jamais deixou de vender pranchas de shaper para surfista. No bodyboard, quando as megaempresas do segmento de brinquedos, como a Kransco e a Mattel, se desinteressaram pelo bodyboard como produto, caímos no abismo e só agora mostramos sinais de revitalização e reestruturação baseados no momento atual do mercado.

    Decorridos 40 anos, como vê a evolução do bodyboard até hoje?
    Em performance é incontestavelmente incrível! O desporto está bem representado nesse aspeto. Porém, no que toca a organização e estrutura está com “nota baixa”. Não há uma organização e estrutura que visualize o crescimento da modalidade e uma divulgação nos mesmos níveis do passado. Embora, como toda a atividade radical que passou por momentos de dificuldade como o skate, surf, ainda temos carência de recursos humanos e um projeto de médio-longo prazo a ser implantado que dê consistência e futuro a todos os envolvidos.

    E como você se vê daqui a 10 anos?
    Mais velho, com saúde para surfar, divulgar o esporte e a marca Kung!


    Fotografia: Marcello Bravo & Silvia Barcellos.

  • BRUNO NORBERTO

    BRUNO NORBERTO

    Bruno Norberto, 29 anos, é um dos assíduos fotógrafos de bodyboard da nossa costa. Natural de Odivelas, iniciou-se na arte dos disparos há cinco anos, tantos quantos fotografa o desporto. Tudo começou numa viagem a Nova Iorque em 2009, altura em que adquirir uma máquina fotográfica de elevada performance e, desde então, passou a levá-la consigo para todas as sessões de bodyboard com os amigos.

    Uma mão cheia de anos volvidos e Bruno Norberto já captou alguns momentos emblemáticos no desporto, entre as quais as dez chapas presentes nesta que é a primeira galeria da série “Boogie Frames”, que dá a conhecer algumas figuras por detrás das lentes que captam os melhores momentos de bodyboard um pouco por todo o país.

     

    Quando e por que é que começaste a fotografar bodyboard?
    Desde muito novo que gosto de fotografia, mas sempre tive máquinas compactas. Até que em 2009 fui a Nova Iorque e decidi comprar uma máquina mais sofisticada para fazer registos da viagem. Daí comecei a levá-la comigo quando ia surfar e no fim das sessões ficava sempre a fotografar a malta na praia.

    O que têm a fotografia e o bodyboard que te atraem?
    Poder registar aquele momento único, seja tubo, manobra ou até uma paisagem.

    Que outras paixões tens na vida e de que modo se refletem no teu trabalho?
    Gosto de viajar, ouvir música e de desporto.

    O que fazes para viver e onde se encaixa a fotografia?
    Trabalho na área da informática e a fotografia é apenas um hobby.

    O que é que te influencia? Que fotógrafos te servem de referência?
    Clark Little, Ricardo Bravo, Ricardo Amaral, Nuno Dias, Chris Burkard, só para nomear alguns.

    O que é que te dá mais pica de fotografar no bodyboard?
    É complicado escolher, depende do momento em si, mas talvez empty waves.

    Quem é o teu rider favorito de fotografar? E onda?
    Todos os que surfam bem e são atirados. El Frontón, sem dúvida.  É fantástico poder estar ali apenas a observar.

    Onde publicas e partilhas o teu trabalho?
    Na minha página de Facebook.

    Fazes bodyboard?
    Sim, é um desporto muito divertido, recompensador e promove o contacto com a natureza.

    Descreve-nos o que seria para ti a chapa perfeita de bodyboard.
    Uma onda perfeita, pesada, com o mar muito azul e uma paisagem brutal por trás e alguém a disparar um aéreo gigante.


    Fotografia: Bruno Norberto | Facebook

     

  • NORTHERN NOMADS

    NORTHERN NOMADS

    Northern Nomads é um projeto que retrata o desconhecido estilo de vida e viagens dos bodyboarders do Norte de Portugal e Espanha. Os cenários frios e cinzentos das regiões de Viana do Castelo e Galiza abrigam uma entusiasta comunidade devota a explorar as melhores ondas da costa nortenha da Península Ibérica e a documentar a vida e experiências nas suas cidades e vilas.

    Para além de dropar umas slabs com a malta, André Alves é o homem por detrás do blogue visual, cuja maioria dos intervenientes é português. André partilha os frames que revelam o espírito nómada do grupo e as gentes e culturas daquelas regiões, acrescentando ainda imagens que detalham uma história que se adapta à mensagem do Northern Nomads.

    O que é o Northern Nomads?
    É um projeto que documenta um grupo de amigos que viaja para surfar. É o retrato do nosso dia-a-dia, do nosso lifestyle, em que mostramos as nossas viagens por Viana do Castelo e norte de Espanha. O projeto teve tão boa aceitação e as pessoas curtiram tanto que vamos aproveitar e trazer imagens sempre que viajamos. Ainda temos fotografias de outras viagens que queremos publicar.

    Que impacto pretendem ter?
    Queremos apenas divulgar à comunidade o que se passa pelo norte, porque não temos assim tanta exposição quanto isso, não temos muitos meios. Além disso, sem a Vert em formato papel, temos ainda menos meios de divulgação. Mas quisemos dar uma imagem do que andamos a fazer por aqui.

    Que tipo de cenários ou temas fotografam?
    Gostamos de cenários nómadas, um bocado frios, a preto e branco. Tentamos recriar a ideia de inverno, frio, que é basicamente o nosso dia-a-dia lá em cima. Mas também temos no blogue fotografias que não são nossas, mas que foram postas ali com o propósito de dar um diferente enquadramento ao espaço. Não têm de encaixar perfeitamente, mas dão uma ideia da mensagem que queremos passar.

    Que mensagem pretendem transmitir com o Northern Nomads?
    Queremos passar uma mensagem de boa vibração, do lifestyle que nós adoramos e do desporto que é a nossa vida. Durante mais de um ano, enquanto estávamos quase todos no desemprego, viajávamos, surfávamos e curtíamos todas as semanas, pelo que queremos mostrar isso.

    Como é a cena bodyboarder em Viana do Castelo?
    Há muitos bodyboarders em Viana, temos uma boa comunidade. É muito mais unida do que a surfista. Somos todos super amigos, unidos e damo-nos quase todos bem. Claro que há as quezílias normais do desporto, mas temos um grupo forte, unido e queremos é fugir ao crowd e apanhar boas ondas, sobretudo para bodyboard. Viana do Castelo é um daqueles raros exemplos em que o inverno é pior que o verão em termos de ondas. Por isso, nessa altura, temos de viajar três horas até à Corunha ou Galiza para surfar. Nós preferimos, enquanto bodyboarders, apanhar ondas melhores e que nos possibilitem surfar melhor e divertirmo-nos mais do que ficar na nossa cidade a apanhar ondas de merda.

    Qual é o vosso spot favorito em Viana do Castelo?
    No verão paramos mais na praia da Arda, onde foi realizado o primeiro mundial de bodyboard em Portugal [n.d.r.: em 1994]. No inverno é mais o Cabedelo, mas não é uma onda tipicamente bodyboarder, não apreciamos muito.

    E no norte de Espanha?
    A zona da Galiza, sobretudo as slabs mais conhecidas e El Faro – uma onda que dá uns triângulos espectaculares – e Corunha, que tem montes de picos fundo de areia e pedra.

    Como é que se dão com a malta do norte de Espanha?
    Ali na Galiza é tudo pessoal altamente, boa onda. O Cristian Perez, que também aparece no blogue, surfa muitas vezes em Viana, juntamente com o fotógrafo Angel “Fotosplino”. Muitas vezes avisamo-lo que está bom em Viana e ele avisa-nos sobre a Galiza. É pessoal super humilde, damo-nos todos muito bem.

    O que vos motiva para o bodyboard e fotografia?
    Em relação à fotografia, tivemos a sorte de ter o fotógrafo Rúben Laranjeira aka Uriel Photography a morar em Viana durante alguns anos. Foi o primeiro fotógrafo a chegar a Viana com uma caixa estanque e a seguir-nos para todo o lado. Então aproveitámos a chegada dele para trabalhar mais esse aspeto e a fazer mais fotos. Até há dois anos para cá, nunca tínhamos tido um fotógrafo dentro de água, não havia lá em cima. Já para o bodyboard nem é preciso motivação, só o facto de podermos estar em contato com o mar e apanhar boas ondas é suficiente. E a cada viagem que fazemos, há uma experiência nova, é uma forma de conhecermos novas pessoas, novos bodyboarders, compreendermos a dinâmica de cada sítio a que vamos. Nós, apesar de morarmos muito perto de Espanha, temos muitas diferenças para eles e isso vê-se até na forma como eles nos recebem.

    Quais são as influências para este estilo de vida?
    É o próprio lifestyle, aquele estilo de vida descontraído, levar a vida de uma maneira muito slow e boa onda. Nós gostamos é de surfar entre amigos, boas ondas, sair à noite e beber uns copos.

    Quem é que está envolvido nesse coletivo e o que é que cada um faz?
    O Pedro Meira, bodyboarder, que até teve uma dupla página na Vert com algumas fotos que aparecem no blogue; o Cristian Perez, talentoso bodyboarder galego; o Paulo Escaleira, o Luís Gama, o Ruben Alves e o Rúben Laranjeira. Há alguns que não aparecem ainda no blogue, mas em breve aparecerão.

    Em que consiste o vosso projeto paralelo – 157 – e como é que este se revela no Northern Nomads?
    Isso engloba muito mais gente, mas também tem ligações ao bodyboard e ao surf. A principal ligação dos 157 é a street art. Depois foi alargando um bocadinho o conceito à cidade e aos nossos amigos. Também começámos a fazer umas roupas e uns autocolantes. Aquilo foi pegando, fomos espalhando a mensagem e, hoje em dia, já somos bastantes a representar o coletivo.

    Qual é o futuro do Northern Nomads?
    Agora passa por viajarmos, fotografarmos mais e ir registando as próximas viagens.


     

    Fotografia: ©Northern Nomads | Blog: Northern Nomads

  • MESTRES DO ESTILO: KAINOA MCGEE

    MESTRES DO ESTILO: KAINOA MCGEE

    Se Paul Roach fica na história do desporto por ter modernizado o Dk, então Kainoa McGee fica definitivamente por ser o bodyboarder mais power que alguma vez tivemos oportunidade de observar nessa vertente.

    No que diz respeito a Dk, até hoje ninguém chegou aos seus calcanhares em ondas grandes… em especial na infame bancada de Banzai Pipeline onde ainda hoje se atira a 8-10 pés como se estivesse a surfar um metro.

    E para quem conhece a potência das ondas do North Shore e especificamente da arena de Pipe, sabe bem que isto só é possível graças a uma grande dose de coragem, capacidade e muito talento.

    Segundo o próprio, só começou a surfar em Pipeline por volta de 1986, com 15 anos de idade, precisamente cinco anos depois de se ter iniciado no boogie.

    Em todo o caso, apesar de ter sido um dos que mais luta deu a Mike Stewart ao longo dos anos, sendo até candidato ao título mundial por várias vezes, a verdade é que este havaiano acabou por nunca vencer uma prova em Pipe.

    Porém, é seguramente um dos que detém um dos melhores registos naquela onda. Ele tem um quinto em 1990 e um terceiro em ’97. Para a história ficam os segundos lugares conseguidos em 1991, 1992, 1994 e 1996, que o tornam, obviamente, num dos melhores de sempre no spot mais famoso do mundo.

    A irreverência de Kainoa não abrandou ritmo e continua a dar nas vistas, a ser intimidante, mas hoje em dia é principalmente a versatilidade e o Hawaiian Style que apresenta na água que conquista respeito, estatuto e gera notícia.

    Não há um atleta assim tão completo. Ele é um dos mais versáteis que a comunidade já viu, um verdadeiro waterman, que pratica quase tudo o que deslize sobre água (bodyboard, surf, longboard, SUP).

    Kainoa é, por exemplo, o único a ter alcançado finais em Pipe, quer em bodyboard quer em surf. Feito que mais ninguém conseguiu…

    Hoje em dia é nadador-salvador (profissão de grande prestígio na Meca do Surf), mas também empresário e ator. Esta grande lenda do bodyboard mundial chegou a cruzar a costa portuguesa na década de 90.

    #MestresDoEstilo

  • MESTRES DO ESTILO: EPPO

    MESTRES DO ESTILO: EPPO

    Michael “Eppo” Eppelstun é um dos ícones mundiais do bodyboard e, muito provavelmente, a maior figura do bodyboard australiano.

    Eppo apareceu em cena nos finais do anos oitenta e num par de anos conseguiu revolucionar o desporto, muito graças à sua abordagem que se pode considerar quase ao nível de um ginasta – entenda-se, aéreos altíssimos de pernas abertas tipo sapo!

    De estilo explosivo e radical q.b., não demorou muito até conquistar o devido reconhecimento na imprensa especializada e a ver os seus desempenhos serem cobiçado pelos fãs do bodyboard.

    Em 1993 ele não só se tornou campeão mundial como ainda foi o primeiro aussie a conquistar tão importante feito. Até então o campeonato em Banzai Pipeline só tinha conhecido campeões de origem havaiana…

    A partir desse feito histórico, Eppo focou-se ainda mais em inovar e, além de aperfeiçoar os El Rollos duplos que já havia empreendido na prova de Pipe, inventou o ARS (Air Roll Spin) e o Backflip, que dispensam apresentações. Essas duas manobras foram um autêntico marco na evolução do desporto, em particular na competição, pois até aos dias que correm ainda são uma referência. Quem não as saiba fazer dificilmente conquistará um troféu.

    O verão de ’93 ficou ainda marcado pelo lançamento de um filme – Eppo’s Freak Show. Filmado ao longo de seis meses por Chris Stroh, a película foi um tremendo sucesso e mostra bem as qualidades únicas que o australiano possuía no jogo aéreo. Eppo foi um inovador que mudou o curso do desporto e ainda serviu de inspiração para outros atletas do calibre como Sean Virtue e Jeff Hubbard, por exemplo.

    Ele destacou-se também pela personalidade afável e humilde que ainda hoje é recordada. Vive na Austrália, com a sua família, e trabalha no ramo da construção civil (embora tenha tido durante muitos anos uma surf shop).

    #MestresDoEstilo

  • MESTRES DO ESTILO: PAUL ROACH

    MESTRES DO ESTILO: PAUL ROACH

    Paul Roach, de Encinitas, Califórnia, foi um dos riders mais inspirados que o desporto já viu… e também o que fica na história por ter modernizado o Dropknee – a Jack Stance.

    Roach começou nas lides do bodyboard por volta de 1984 e nesse mesmo ano fez o seu primeiro campeonato que, aliás, acabou por vencer de forma categórica segundo reza a história.

    A paixão cresceu, obviamente. Então, nos dois anos seguintes, dedicou-se de alma e coração à modalidade. Entre os 12 e 13 anos, o seu talento e energia era tanta que já competia em várias categorias (uma só não chegava!).

    Após a conquista de três títulos nacionais e com total liberdade para se dedicar ao Dk, tornou-se profissional aos 16. A partir deste momento a sua sorte mudou.

    A braços com um critério de julgamento que beneficiava quase sempre o prone, ele não venceu mais campeonatos a partir dessa data e acabou por desistir, optando pelo free surf.

    De qualquer forma, durante anos ocupou inúmeras páginas de revistas, conquistou minutos e minutos de segmentos de filmes em VHS e preencheu o imaginário de milhares de fãs.

    Além da atitude irreverente e sempre controversa, Roach deu ao Dk definitivamente mais notoriedade, muito graças aos grandes manobrões que empreendia nas suas performances. Grandes rasgadas, sempre apoiadas no rail, e floaters quilométricos, com velocidade extrema, ficaram seguramente na retina ao longo dos anos.

    Mesmo assim, a forma como atacava as ondas e a diversidade com que ripava, dando laybacks, aéreos, carves e off-the-lips como mais ninguém, jamais será esquecida e ainda hoje é fonte de inspiração para muitos.

    Super energético, hiperativo até em algumas ocasiões, este carpinteiro de profissão do sul da Califórnia deixou de legado um estilo explosivo e excitante q.b.

    Foi um dos poucos que na época se dedicou a 100% à vertente do Dk, aplicando ao bodyboard o que os surfistas e skaters andavam a fazer na altura. A expressão Cockroach Smash (barata destruidora) ainda hoje é relembrada pelos adeptos do Dk.

    Por cá tivemos a sorte de vê-lo em 1992, juntamente a Jay Reale e Mike Stewart, aquando de um dos tours promocionais da Morey Boogie.

    #MestresDoEstilo

  • THE PORTUGUESE ISSUE BY VERT

    THE PORTUGUESE ISSUE BY VERT

    Mais uma edição exclusivamente digital produzida pela equipa e com quatro artigos distintos: Sessions, Fly or Die, Inspire Yourself e 5 From The World. 

    Como habitual, é uma edição bilingue (português/inglês), de consulta absolutamente gratuita e, ao contrário das edições anteriores, onde se destacam ondas e riders do mundo inteiro, desta vez o foco foi somente Portugal.

    Avisa os teus amigos e partilha no mural do teu Facebook! Diverte-te! 


    (english version) 

    Another exclusive piece of work with four incredible photo features: Sessions, Fly or Die, Inspire Yourself and 5 From The World. It´s a full bilingue Portuguese/English issue.

    Plus, it´s totally FREE! Give it a read and if you think it´s worth it, please feel free to share with your mates and friends. Thank you.