Author: Vert Magazine

  • NOVY NO SUL DA AUSTRÁLIA

    NOVY NO SUL DA AUSTRÁLIA

    O sul da Austrália não é completamente desconhecido para Michael Novy que voltou a aventurar-se, mais uma vez, pelas suas águas geladas e infestadas de tubarões. Novy voltou com muitas histórias e algumas ondas. O resultado está à vista…

    —
    ENG // Michael Novy is no stranger to South Australia. Joined by his pals, Novy was once again a star of the show as he effortlessly flipped, spun and charged the bevvy of waves on offer – undeterred by the cold and shark infested waters from which surround him. He came back with plenty of stories and these few waves. So turn on, tune in and drop out.

    Filmed by Sam Rutherford; edit by Michael Jennings.

  • #THROWBACKTHURSDAY

    #THROWBACKTHURSDAY

    21/01/2016 – Ainda hoje, com 43 anos, é conhecido pela “máquina perfeita” e surfa sempre com a mesma consistência. Detentor de um estilo muito próprio que ao longo dos anos conquistou largos seguidores pelo globo, inclusive em Portugal, influenciando pelo caminho também uma geração de novos bodyboarders brasileiros que tem vindo a dar os seus frutos. Foi 6x campeão mundial e 6x vice-campeão. Também conquistou seis títulos brasileiros. Destemido e atirado, um ídolo para muitos, um gladiador que nunca fugiu da luta e que para muitos se define numa única palavra: imparável!

    Falamos, obviamente, de Guilherme Tâmega. O texto e a foto fizeram parte do artigo “10+ do Estilo”, publicado na edição 97 (Dezembro 2009) e visou os riders que, na altura, de acordo com uma lista apurada por vários colaboradores, detinham o estilo mais apurado e visualmente apetecível do momento. GT ficou em 9º lugar nessa lista. #TBT


    Fotografia: Tim Jones

  • SUMMER BLEEDING

    SUMMER BLEEDING

    Mazelas do verão australiano com Mitch Rawlins no centro da ação e a destacar-se do crowd. Filmado e editado por Todd Barnes.

    Música: The Gooch Palms – “Houston we have a problem”

  • BOAS CONDIÇÕES EM PROVA DE ESPOSENDE

    BOAS CONDIÇÕES EM PROVA DE ESPOSENDE

    Após duas tentativas falhadas de realização do II Campeonato de Bodyboard e Surf de Esposende, com dois adiamentos consecutivos devido às condições do mar, a organização realizou no passado fim de semana a segunda edição do mesmo com sucesso.

    A praia Suave Mar encheu-se de gente para ver os cerca de 60 atletas inscritos, num dia que ficou caraterizado pelo sol e por ondas classificadas como “razoáveis” pela organização.

    A prova foi organizada em parceria com a Câmara Municipal de Esposende e o CICS Palmeira de Faro, tendo trazido a Esposende atletas de várias cidades do norte do país.

    Este campeonato, para além de fomentar o surf e o bodyboard em Esposende, enraizando as relações entre atletas e permitindo o convívio, foi também um ponto de partida para os novos atletas da EST que se iniciaram na vertente de competição, permitindo a preparação para todos os atletas que irão participar nos próximos campeonatos oficiais que se avizinham.

    O sucesso foi determinado não só pelas condições climatéricas, mas também pelos parceiros e patrocinadores, sem os quais tal não seria possível. Com destaque para a EDF – Énergies Nouvelles, Zendinfgest – Contabilidade e Gestão, Lda., Fidelidade, Jorge Filipe Seguros, Savanna Caffe, Dunar – Turismo e Lazer do Norte, STAHP, Oculista Antunes, Cipriano Joias, Couto Boards, Mar Alto – Praia Suave Mar, Waveshaper Lifestyles e Ponto de Cópias Unipessoal, Lda.

    A organização garantiu ainda que a prova serviu de teste, mostrando-se disponível para organizar uma prova oficial da Federação Portuguesa de Surf. Quem sabe não será já este ano… A confirmar-se será um ponto de viragem e afirmação de Esposende na área, visto que a última prova oficial em Esposende foi há mais de 20 anos.

    A organização agradeceu ainda aos que aproveitaram o dia de sol acompanhando o campeonato e promete já em breve mais ação para a Praia Suave Mar em Esposende. Os resultados oficiais:

    Open
    01. Ricardo Rosmaninho
    02. Isaac Moreira
    03. Filipe Ferreira
    04. Fábio Joel Ferreira

    Sub-18
    01. Octávio Silva
    02. José Silva
    03. Isaac Moreira
    04. Jacinto Pascoal

    Feminino
    01. Ana Peres
    02. Carolina Brito
    03. Daniela Castro
    04. Filipa Castro
    05. Helena Fonseca

  • CAVE ROCK COM STEPHEN DU PREEZ

    CAVE ROCK COM STEPHEN DU PREEZ

    Decidimos ir até à África do Sul visitar uma das suas pérolas, Cave Rock, com um dos locais, Stephen Du Preez em algumas ondas captadas durante o inverno.

    Música: Pham – Blackouts

  • JORNADA LUSA PELA COSTA DA MORTE

    JORNADA LUSA PELA COSTA DA MORTE

    Corria o início de dezembro quando alguns riders portugueses se aventuraram pela Costa da Morte, na Galiza, em busca de alguma adrenalina e também com o propósito de desbravarem uma das melhores slabs da Europa – A Tremosa, Corme.

    João Guedes, em surf, e Ricardo Faustino, em bodyboard, acompanhados por Ramon Laureano, da Jet Resgate Portugal, e Nuno Cardoso e Vasco Lázaro, da Oceanus Imago; foram os atletas de serviço numa sessão que ficou para a história.

    O vídeo documenta bem a aventura e o festival de tubos, mas a história da sessão, contada em exclusivo por Ricardo Faustino, encontra-se AQUI, caso desejem saber mais.

    Vídeo editado por Bruno Novoa/JetGalicia com imagens de Aeromedia, JetGalicia team, Inês Rodrigues, Nuno Cardoso e Bruno Novoa.

  • MAGNO PASSOS DROPA ONDA DE 14 METROS EM JAWS

    MAGNO PASSOS DROPA ONDA DE 14 METROS EM JAWS

    Pe’ahi (Jaws) ainda há bem pouco tempo fez história no arranque da nova temporada do Big Wave Tour da World Surf League, mas num swell recente viu o brasileiro Magno Passos dropar uma das maiores ondas de sempre em bodyboard… e na remada!

    Magno, de 31 anos, não deixou escapar o último swell que varreu o arquipélago havaiano há dias e, juntamente com um amigo também bodyboarder (Lucas Caiado), resolveu aventurar-se pelo reconhecido spot de Maui.

    O brasileiro, que reside atualmente na ilha, acabaria por dropar uma onda de 14 metros que, de acordo com alguns especialistas de ondas grandes, é provavelmente a maior de sempre a ser surfada por um bodyboarder sem contar com a assistência de uma mota de água.

    “Quando cheguei, parecia o Maracanã. Toda a ilha se moveu para Jaws, tinha gente de todo o mundo, o Kelly Slater, o John John surfou um dia depois. Teve o Pedro Calado, o “Gordo”. Cheguei e já fui entrando na água. E foi perfeito. Naquele momento, tinha apenas uns quatro havaianos, então deu para se posicionar bem, esperar a onda certa. Estava com muito medo, muito. Na verdade, quando falei com o Lucas Caiado, eu disse que não sabia se ia pegar as ondas, mas queria ir para o canal. Só de ver aquelas ondas é uma vitória. É um fenómeno da natureza, muito perfeito. Vi que fiquei muito embaixo do lip. Se tivesse um segundo atrasado, a onda podia partir em cima do meu joelho, das minhas costas, e me machucar muito,” comentou o atleta ao Globe Esporte.

    Ao entrar na onda Magno perdeu um dos pés de pato e por esse motivo acabou por sair logo de seguida. O pouco vento, porém, foi um fator que jogou a favor, caso contrário seria impossível fazer bodyboard nesse spot.

    Nos últimos anos o brasileiro foi um dos profissionais que correu o Circuito Mundial, mas acabou por se afastar em 2015. Em fevereiro próximo, fruto de um convite que lhe foi endereçado, irá estar presente no Pipeline Invitational.

    No entanto, no seguimento desta façanha, o que Magno mais deseja agora é especializar-se no bodyboard de ondas grandes, ainda mais sabendo que o pico de Jaws está a meia dúzia de quilómetros de sua casa.

    Por isso, meus amigos, tenham medo, muito medo!
    Magno2


    Fotografia: Cuda Shots (no topo) & Lyton Productions (em rodapé)

  • CRÓNICAS DE GENTE SEM MAR

    CRÓNICAS DE GENTE SEM MAR

    18/02/2015. Que raio estou aqui a fazer? Eram onze e um quarto da manhã e tinha acabado de sofrer um wipeout enquanto praticava snowboard. Estava então em Val d ́Isère, nos Alpes franceses, e o dia tinha amanhecido brilhante, com o Sol lá no alto a acentuar o contraste entre o azul celeste e o branco pristino da neve nos picos à minha volta. É curiosa a sensação que se tem por vezes nestes locais; o branco suave da neve apoia- se, camada sobre camada, nos declives da montanha, arredondando-lhe as formas; a paisagem torna-se menos familiar, quase lunar, convidando-nos ao silêncio.

    Esta estância de altitude, próxima da fronteira com Itália, é muito conhecida pela largura das suas pistas de ski, pela paisagem de cortar a respiração, as lojas e espaços de diversão noturna e pelo ambiente cool e descontraído que durante alguns meses ao ano milhares de amantes de desportos de neve trazem para a região.

    Das mazelas da queda, resultado de uma trajetória mal-calculada numa descida com curva rápida à direita, resultou uma rotura parcial do ligamento do joelho direito, e sinceramente, nos instantes que se seguiram, pensei que tinha sido bem pior. Acabei por me levantar e recompor aos poucos, que estas coisas nunca são fáceis, especialmente quando se está a 2700m de altitude e sem nenhum “táxi” por perto para nos tirar dali de imediato.

    A recuperação foi lenta e dolorosa, com pouca flexibilidade no joelho nos meses que se seguiram e mobilidade reduzida. E nada foi mais constrangedor que passar alguns meses sem poder usar o joelho, retido na montanha com aquela sensação de claustrofobia a que os ingleses chamam de cabin fever e que pode ser realmente insuportável.

    Valeram os amigos, os bocados que passámos a beber espumante barato e a tirar fotografias a bolinhas de sabão, quase até ao pôr-do-sol, com aquele branco lunar como cenário natural das nossas brincadeiras. Mas acima de tudo, valeu a percepção renovada sobre as coisas que a dado momento nos faltam e que aprendemos a valorizar, um dia por vezes, um mês, um ano; noutras situações, uma vida inteira. Faltava-me o mar, e nunca antes isso tinha sido tão óbvio.

    Recordo-me dos momentos da primeira meninez, os verões em família passados em Espinho: aquelas tardes mágicas de marés vivas em que da praia olhava o mar e via os guerreiros locais fazerem-se às ondas. Inverts, air spins, viam-se altas manobras já naquela altura. De vez em quando lá saia uma manobra aérea mais progressiva e imediatamente a seguir o rider olhava para a areia, como se quisesse dizer: “Eh pá, alguém viu o voo que acabei de mandar?” E estava certo, porque havia na areia muita gente que pasmava – miúdos e graúdos – com o surf vanguardista que os locais praticavam. Para mim, a ânsia de arranjar um boogie e entrar lá para dentro crescia. Era assim no início dos anos 90.

     

    Mais tarde vieram as surfadas com os locais, na Ericeira e Santa Cruz. Para alguém que vinha do interior do país, estando ali só de passagem, era espantoso ver como os nativos te acolhiam no seio do grupo, e de repente já eras mais um no meio deles. Mais espantoso ainda, para um forasteiro como eu, era descobrir a relação de alguns deles com o mar. Não havia hora sem surfar, como se isso fosse o suporte vital da comunidade e o suporte individual de cada um ali presente, que a cada dia tem de se renovar, quase ritualmente. Existia uma profunda relação de respeito entre as pessoas, surfistas e bodyboarders, entre estas e o mar, não importando se estivessem dias bons, com sets ordenados a entrar com tamanho, ou dias fracos, com vento de todos os quadrantes.

    Foram assim passados alguns momentos verdadeiramente memoráveis. Os primeiros pores-do-sol dentro de água… Espírito e camaradagem quando algum “desconhecido” te diz, “vai tu nessa onda que eu agora estou cansado”, e que são cada vez mais raros de encontrar; muitas gargalhadas e paródia, com a história do vizinho do amigo que mandou vir as pranchas da Austrália e acabou por comprar mais caro depois de pagar as taxas da alfândega, ou quando, no meio do silêncio que busca no horizonte as ondas que tardam a entrar, alguém grita de lá de trás: “Ó Fred, mete ficha para ver se dá crédito!”

    Sentia falta de tudo isto: sentia falta de coisas simples como ligar a TV e ver os riders nacionais a ripar ao som de Rage Against the Machine, NOFX, Pennywise, Russian Circles; da épica rivalidade Stewart vs. Tâmega; de ver surfar prodígios como Andre Botha ou predestinados como Pierre-Louis Costes; de ver o eterno Manuel Centeno conquistar os primeiros campeonatos nacionais. E lamento acima de tudo que o Bodyboard como desporto não esteja disponível para todos, nos mesmos canais e meios, com a simplicidade de outros desportos de ondas. Resta-nos o bodyboard, enquanto tivermos forças para o praticar.

    Das pessoas que conheci, daquilo que aprendemos com os momentos passados dentro de água, pelo desafio aos elementos recorrendo aos mais básicos instintos de sobrevivência – tão latentes na sociedade hiper- controlada em que vivemos -, dou ênfase à conexão e sensação de bem- estar com o mundo, como resultado da experiência. É isso que nos retempera, nos faz querer regressar.

    “A vontade sossega pois não há necessidade dela”, escrevia Fernando Pessoa no Livro do Desassossego. Mais ao estilo autobiográfico que heteronímico, facilmente percebemos que existe mais vida que imaginação no excerto que aqui transcrevo. Pois que seja isso, que o bodyboard que todos praticamos dependa exclusivamente da nossa vontade. Não de algo que desejamos fazer um dia, uma semana, um mês, mas de algo a que aspiramos, dia após dia, ano após ano, até ao fim.

    Perdoa rei Neptuno que tanto tempo andámos de costas voltadas.

     


    Texto: Ricardo Monteiro | Fotografia: Pedro Mestre